Afinal, o que é Jikiden Reiki?
Jikiden é o nome dado por Chiyoko Yamaguchi Sensei e Tadao Yamaguchi Sensei (dois japoneses, mãe e filho) que significa “ensinar exatamente como meu mestre me ensinou”. Assim, a palavra Jikiden é usada não apenas para o Reiki, mas para todas as “artes” japonesas comprometidas com a manutenção e tradição tal como foi concebida por seu fundador/idealizador.
No caso do Reiki, o que aconteceu é que Mikao Usui formou 20 Shihans (20 pessoas que teriam o direito de ensinar Reiki após sua morte). Desses 20, destacamos Hayashi Sensei, que era médico e que por, razões históricas foi estimulado pelo Mikao Usui Sensei a fundar uma clínica-escola de Reiki e passou a divulgar a técnica. Os motivos que levaram Dr. Hayashi a tomar essa atitude decorre que uma longa história que não cabe ser contada aqui, mas, em resumo, é bom observar que, naquela época, qualquer método ligado a cura foi proibido e perseguido, no Japão, inclusive e principalmente pelo Imperador. Sendo médico, no entanto, Hayashi Sensei pode, livremente, não apenas aplicar Reiki em seus clientes, como criar uma escola para ensiná-lo. Daí a solicitação de Mikao Usui, já que ele era o único médico do grupo. Estaria assim, preservada tanto a prática, quanto o ensinamento, se houvesse algum impecilho por parte dos outros Shihans.
Após a morte de Mikao Usui Sensei, os outros Shihans se recolheram numa Associação e não foram divulgadores como Hayashi Sensei. Isto também leva a uma outra história, que poderei descrever em outro artigo. O fato é que Hayasshi Sensei teve muitos alunos, todos no Japão e no Havai. Dentre esses alunos, estava Takata Sensei, havaiana, filha de japoneses. Um outra aluna que ficou afastada do conhecimento público até 1998 (!!!) foi Chiyoko Yamaguchi Sensei.
Takata Sensei, depois da segunda guerra foi para os EUA e de lá o Reiki espalhou-se para todo o Ocidente. Espalhou-se tanto que até japoneses vieram fazer curso deste lado do mundo, achando que o Reiki tinha desaparecido do Japão. Depois da guerra, não havia noticia de que o Reiki tivesse sobrevivido naquele país. Então, o Reiki conhecido aqui era todo proveniente dos ensinamentos de Takata Sensei e de seus sucessores.
Ocorre que este Reiki, embora tenha as mesmas bases (afinal, Takata Sensei e Chiyoko Sensei foram alunas do mesmo mestre, o Dr. Hayasshi, por sua vez, aluno direto de Mikao Usui!), podemos dizer que o Reiki advindo de Takata Sensei sofreu muitas alterações, por influência da cultura ocidental e por outras razões que ainda não conhecemos de todo. Por outro lado, também foram perdidas outras informações e ensinamentos, não sabemos bem por quê, mas talvez mesmo por influência da cultura, em sua maioria, ou pela impossibilidade de serem aplicados procedimentos muito tipicamente advindos da cultura japonesa, nos EUA, após a guerra. Esta é uma parte da história que ainda está sendo cuidadosamente pesquisada. O fato é que todas essas circunstâncias não tiraram o valor do Reiki Ocidental (já que a base é a mesma), mas ele perdeu caracterísitcas originais de suma importância, não apenas pelas modificações, como por perda de informações.
Em torno de 1998, Chiyoko Yamaguchi Sensei foi descoberta, por acaso (a história é também bem longa, pretexto para outro artigo). Ela era muito culta e morava numa aldeia no interior do Japão. Jamais deixou de fazer Reiki, mas o conhecimento estava restrito a sua família. Nunca teve intenção de ensinar. Ela não precisava trabalhar e se dedicava aos afazeres domésticos e a ajudar, através do Reiki, as pessoas que a procuravam, que eram muitas.
Em um dos vídeos que tive oportunidade de assistir, no curso que realizei com Tadao Sensei, neste ano, em Bogotá, ela fez um depoimento de que , nos 63 anos em que viveu depois de ter conhecido o Reiki, o usou continua e diariamente, como parte de seu ser.
Quando foi descoberta, tanto o Ocidente ficou muito admirado por ela existir quanto ela mesma ficou admirada ao saber que havia Reiki no Ocidente. Só que ao ver como era o “nosso” Reiki ela admirou-se dizendo que era diferente do que ela fazia, bem como muitas coisas tinham sido acrescentadas e, outras, perdidas.
Foi um custo convencê-la a ensinar o que tinha aprendido diretamente de Hayashi Sensei, ou seja, o Reiki “original” dado pelo Dr. Hayashi. Após, no entanto, ver como muitas coisas tinham se perdido ou modificado, ela acabou concordando. Logo a seguir, fundou o Instituto de Jikiden Reiki, com seu filho Tadao Sensei, dizendo que se comprometia a ensinar exatamente como aprendeu de Hayashi Sensei.
Seus cursos, no entanto eram dados apenas a quem falasse japones, pois ela só falava esta língua e tinha medo de más interpretações de tradução, o que desvirtuaria a técnica. Meu mestre Arjava Petter é alemão, mas fala japonês fluentemente e pôde fazer o curso – foi assim que o Jikiden chegou a mim.
Atualmente, após a morte de Yamaguchi Sensei, em 2003, o representante do Instituto é seu filho Tadao Sensei. Dada a incondicional dedicação de Arjava Petter Sensei, por todos esses anos, em maio deste ano, ele foi nomeado vice-representante do Instituto, o que quer dizer que, na falta de Tadao Sensei, é ele quem responde pelo Jikiden Reiki em todo o mundo. Considero estes dois (Tadao e Petter) as pessoas que mais entendem de Jikiden Reiki no mundo, neste momento.
Fiéis às condições originais que levaram Chiyoko Sensei a aceitar ensinar Reiki, o Instituto de Jikiden assumiu as condições impostas por ela para levar adiante seus ensinamentos. Em termos gerais, podemos resumir desta forma:
1) o aluno que faz o curso se compromete a guardar os ensinamentos para si mesmo, pois apenas os instrutores qualificados pelo Instituto tem permissão para divulgar esse conhecimento. O objetivo é o de que o que se ensina não seja modificado e a tradição possa continuar viva. Isto é muito comum no modo de pensar japonês.
2) Os instrutores não tem permissão de divulgar publicamente o que sabem para não acontecer como no Reiki Ocidental que acabou sendo modificado a cada passo (de fato, na internet achamos, agora, vários tipos de Reiki, cada um com características próprias: Reiki tradicional, Reiki Kahuna e Reiki Karuna, Reiki Aché, Reiki Espada, Reiki da Deusa, Rainbow Reiki, para citar apenas alguns).
3) O Instittuto de Jikiden Reiki não é contra o Reiki Ocidental. Pelo contrário, afirma que, se a base é a mesma, todos tem o seu valor. Apenas não deseja que o que é ensinado pelo Instituto seja modificado para que possamos ter vivo o Reiki tal como foi concebido. Para isso, é preciso disciplina e rigor no ensinamento e cuidado com a divulgação. A divulgação da técnica, então, é feita só nos cursos, para os alunos que se dispoem a aprendê-la tal como foi concebida.
4) a formação do terapeuta conserva a formação dos níveis do Reiki original, tal como foi ensinado a ela pelo Hayashi Sensei: Shoden (nível do iniciante) e Okuden (nível do ensinamento mais avançado). Com estes dois níveis, o aluno aprende todas as técnicas terapêuticas, inclusive as do Reiki à distância. Outros níveis são direcionados aos que entram no caminho dos instrutores:
a) após longo aprendizado e cumprir uma série de requisitos, é possível formar-se como Shiham kaku (assistente do instrutor). O Shihan Kaku tem autorização de ensinar o nível Shoden;
b) após cumprir outros requisitos, o Shihan Kaku aguarda a autorização para atuar como Shihan. Esta autorização era dada, até maio, apenas pelo Tadao Sensei. A partir de maio, passou a ser concedida também por Arjava Petter Sensei, seu único substituto, no Instituto Jikiden Reiki.
c) Apenas Tadao Sensei e Arjava Petter Sensei podem formar Shihans-Kakus e Shihans.
Em termos gerais,creio ter conseguido apresentar o que é Jikiden Reiki, como funciona e como se apresenta acadêmica e administrativamente.
O que posso dizer é que eu o aprendi e o estudo continuamente, desde 2006. Como experiência pessoal, embora também ache que o Reiki Ocidental tem o seu valor inestimável (!!!), percebi que minha atividade terapêutica está mais consistente e tem resultados incríveis. Isto não quer dizer que seja melhor. Apenas aprendi coisas que estavam perdidas e deixei de fazer coisas desnecessárias. Em suma, é como se eu me sentisse trabalhando com a energia de forma mais direta e consistente.
Como trabalho com Reiki desde 1998, para mim é mais fácil ver a diferença do que aconteceu com o meu modo particular de trabalhar com Reiki.
Reafirmo que isso não desmerece em nada o Reiki Ocidental. Se eu achasse isso, não estaria sendo honesta com meus alunos e, principalmente, comigo mesma, por continuar a ensiná-lo também.Apenas percebo que nem todos querem um curso de nível I de três dias e com mais profundidade. Mesmo assim, como há procedimentos do Jikiden Reiki que o próprio Instituto trouxe a público (como o uso do byosen, por exemplo), sempre que posso, introduzo noções em meus cursos de base ocidental, tal o valor que percebo estarem contidos ali.
Em termos gerais, esta é a concepção do Jikiden Reiki. Aos mais interessados, sugiro acessar o link do meu site sobre o assunto, que contem mais algumas informações:
Poderia o Reiki ser descrito cientificamente?
Eulalia Fernandes
“Se perguntarmos a um físico por que um sapo pula, ele não saberá responder. Mas se lhe dissermos como se constitui um sapo, como são suas moléculas, como se posicionam seus nervos, etc, ele terá base para resolver a questão” (Feynman, 1999, 110). Do mesmo modo, para que possamos descrever as características e o funcionamento do Reiki, é necessário que as questões propostas possam ser colocadas de uma forma que permita ao reikiano ter subsídios de pesquisa partindo do seu campo de atuação. Os dados são específicos a seu campo de saber e, na maioria das vezes, não são tão “objetivos” como determina o cartesianismo acadêmico, mas isso não quer dizer que a metodologia de análise não possa ser científica. Afinal, quantos campos de saber não conhecidos ou reconhecidos em sua época foram condenados como desclassificáveis, no decorrer da história da humanidade, até que os homens os aceitassem como plausíveis e factíveis?
Mas o que geralmente se propõe a um reikiano são perguntas como: “o Reiki cura câncer?”. Assim como seria impossível propor a um físico responder simplesmente por que um sapo pula, é impossível pedir a um reikiano que responda a esta questão. Isto porque as propostas de análise do terapeuta reikiano não estão voltadas ao campo da doença, campo que não lhe cabe dominar, a não ser que, além de reikiano, seja também um médico. Como terapeuta holístico, que é o que caracteriza o status funcional de um reikiano, não está prescrita a possibilidade de responder ao domínio de um campo que não lhe pertence, assim como ao físico não cabe responder a perguntas, se não lhe derem os dados necessários à resolução das questões que lhe são propostas. Se, no entanto, a questão for colocada dando-lhe subsídios para perceber, analisar e entender a causas de desequilíbrios energéticos de uma pessoa da qual a medicina tradicional tem um diagnostico de câncer, então, sim, ele terá condições para supor as causas de desequilíbrios (geralmente baseadas em emoções negativas, como a mágoa, o sentimento de perda, a rejeição, o abandono, a tristeza profunda e outros padrões emocionais) que provocam o adensamento energético de tal desequilíbrio no nível físico. Baseado nisso – porque este é o seu campo de saber -, poderá, então, supor o quanto de empenho no restabelecimento dos centros energéticos é necessário, bem como que tipos de energia poderiam ser propícios para a recomposição desses campos energéticos, embora não lhe caiba assegurar a recomposição deste reequilíbrio nem, evidentemente, o restabelecimento da saúde. As razões desta suposição estão pautadas nas descrições de como um terapeuta holístico atua e quais as funções que lhe cabem analisar. Isso não quer dizer que ele esteja empenhado em enveredar-se pelo campo da medicina. Muito pelo contrário: não lhe cabem estas incursões, do mesmo modo que não cabe ao físico explicar por que o sapo pula. Assim, a não ser que dêem ao físico ou ao reikiano subsídios próprios a seus campos de saber, estas questões não podem ser analisadas ou resolvidas. Em outros termos, um reikiano voltado a estudos e pesquisas estará empenhado em resolver as questões que lhe são colocadas em sua linguagem específica e pautadas não apenas em seus conhecimentos, mas, principalmente, na visão que lhe é permitida à análise do mundo que o cerca.
No entanto, o que estabelece a diferença entre a aceitação da descrição do físico e da descrição do terapeuta reikiano é que , de modo geral, os leitores que analisam uma resposta de um físico prontamente a reconhecem como válida, apenas pelo status a ele conferido pela sociedade científica. Uma resposta de um terapeuta reikiano, ainda que pautada em análises objetivas e consistentes de descrição de casos terapêuticos, dificilmente é aceita como resposta plausível, mesmo que os resultados de sua atuação e suas pesquisas em nada desmereçam os critérios metodológicos utilizados para o alcance de suas metas e mesmo que suas descrições em muito se assemelhem às de um físico, que só descreve “por que um sapo pula”, se estiver em consonância com a adequação dos dados que lhe são fornecidos.
Por que será que isto se dá desta forma?
O que posso supor é que, se um reikiano diz que não pode responder a perguntas como a que foi citada acima, sua terapia quase sempre é criticada como algo que, então, nada acrescenta a qualquer tratamento, mesmo quando se coloca como terapia complementar (que é o que caracteriza a terapia holística). Respostas evasivas são permitidas à medicina: “não podemos dizer mais nada a respeito desse caso; fizemos o que estava a nosso alcance”. Mas se uma resposta a este nível é dada pela terapia holística, como por exemplo: “cabe-nos trabalhar a energia que provoca este estado de desequilíbrio e cabe ao receptor trabalhar esta energia e metabolizá-la a seu favor”, somos imediatamente condenados como pessoas que se pautam em respostas consideradas vazias, pois, “Afinal, então, para que servem essas terapias?” ou “Por que você perde tempo e dinheiro com isso? Nada pode ser provado em torno desse tipo de tratamento…”
O trabalho terapêutico do reikiano, bem como a do terapeuta holístico, em geral, volta-se para a reconquista de um equilíbrio perdido ou para a manutenção deste equilíbrio e não poderá prescindir da real predisposição da pessoa afetada para a reconquista da sua saúde, ou seja, trabalhar as energias que geraram esse desequilíbrio. Neste sentido, as energias terapêuticas do Reiki são bastante propícias para ajudar a trabalhar os corpos físico, emocional e mental, como veremos em outros artigos.
O que importa ressaltar, aqui, é que não cabe ao reikiano simplesmente responder se “o câncer tem cura” porque uma resposta direta, nesse sentido, foge a seu campo de saber. Estas questões se baseiam em causas que apresentam inúmeras variáveis, tal como acontece com a maioria das ciências. E, como ocorre com os cientistas que procuram por suas respostas, o reikiano também vê, em cada caso, um universo de pesquisa e não uma fórmula mística a ser respondida indiferenciadamente.
De qualquer forma, a descrição dos fenômenos científicos, muitas vezes, tolera respostas evasivas, pois o que verificamos é que, na descrição desses fenômenos (destaco a Física, por exemplo), os experimentos seguem uma “belíssima” linha de raciocínio, num padrão que a linguagem científica atual está habituada a aceitar.
É comum aos físicos, portanto, dizerem, com freqüência, que uma questão qualquer, em análise, talvez não apresente uma resposta verdadeira, pois, afinal, a “natureza não tem de concordar com o nosso raciocínio” (Feynmam, 1999, 124). Alguns dos pressupostos podem estar errados ou é possível que se tenha cometido um erro de raciocínio, de modo que é sempre necessário verificar.
Tal tolerância, no entanto, de modo geral, não é concedida a uma descrição terapêutica reikiana, pelo simples fato de que é comum não aceitar que um reikiano também seja capaz de usar metodologia científica para descrever seus dados. O problema se dá, portanto, não apenas porque seus dados, quase sempre, fogem a um conhecimento tradicionalmente científico, mas porque dificilmente, a sociedade científica está disposta a reconhecer, a priori, que isto também pode ser feito.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
FEYNMAN, R. P. Física em seis lições. Rio de Janeiro, Ediouro, 1999.
Sobre a terapia holística – introdução
Eulalia Fernandes
O pensamento ocidental, voltado para a interpretação do ser humano, contemplou essencialmente uma visão baseada no racionalismo, segundo a qual tratar da saúde e da qualidade de vida representava saber “decodificar a máquina humana” em seus mais variados aspectos. Em outros termos, restringiu-se a tratar das funções, dos sistemas e de todos os outros componentes que constituem a matéria física, em suas particularidades e especialidades.
Nos últimos anos, no entanto, principalmente na última década, estudos e pesquisas têm-se sensibilizado no sentido de voltar sua atenção para outros enfoques, e a própria Ciência passou a buscar entender o homem sob outros aspectos. Esta nova lógica de interpretação está, finalmente, em desenvolvimento, sob a responsabilidade de estudiosos que, em diversos campos do saber, seja na área científica, tecnológica ou das ciências humanas, buscam referir-se às questões que envolvem o ser humano, sob novas bases de conhecimento. A terapia holística inclui-se entre estes novos saberes. Particularmente, visa buscar a saúde e a qualidade de vida contemplando o ser humano como um todo, que é o que significa o termo ‘holístico’, palavra proveniente do étimo grego ’holos’ (todo).
Assim, nos termos de Pierre Weil (1990), poderíamos dizer que “uma visão holística do homem é uma visão que se refere ao conjunto, ao todo, em suas relações com as partes, à inteireza de todos os seres”.
Em 1931, na primeira edição do livro “O segredo da flor de ouro”, escrito em parceria com Wilhelm, Jung já alertava para as questões que envolviam os estudos científicos na interpretação do homem:
A ciência não é um instrumento perfeito, mas nem por isso deixa de ser um utensílio excelente e inestimável, que só causa dano quando é tomado como um fim em si mesmo. A ciência deve servir e erra somente quando pretende usurpar o trono. Deve, inclusive, servir às ciências adjuntas, pois devido a sua insuficiência, e por isso mesmo, necessita de apoio das demais. A ciência é um instrumento do espírito ocidental e com ela se abrem mais portas do que com as mãos vazias. É a modalidade da nossa compreensão e só obscurece a vista quando reivindica para si o privilégio de constituir a única maneira adequada de apreender as coisas. (2001,24)
Este enfoque sobre a visão do científico e do homem impulsiona os aspectos teóricos fundamentais da terapia holística. Colocarmos a ciência ao lado e não adiante nem atrás na análise do conhecimento do homem é, a nosso ver, cumprir adequadamente a função de prestigiar o enfoque holístico sobre as questões universais. É, assim, agrupar, nas palavras de Weil (1990, 27), os quatro campos do conhecimento moderno (arte, religião, ciência e filosofia), tornando possível reunir as funções psicológicas no plano individual, através de terapias ocidentais e orientais e admitir uma abordagem holística do real através:
- da transformação individual graças à identificação e à dissolução dos obstáculos do plano humano;
- do fornecimento de um apoio para a transformação cultural no plano da sociedade a partir de uma harmonia entre o homem e todos os outros seres;
- do retorno a uma relação harmoniosa com a natureza e o universo em geral.
Pautando-se nestes princípios e sem a intenção de substituir os métodos tradicionais, os estudos que envolvem a terapia holística propõem apresentar possibilidades de descrever, analisar e cuidar do ser humano, buscando entender, restaurar ou preservar sua saúde e a qualidade de vida.
É sob esta visão que vemos enquadrar-se o terapeuta holístico. Para alcançar este objetivo, o trabalho do terapeuta junto a seu cliente é o de perceber continuamente o conflito mental ou emocional mais evidente e buscar os recursos que possam ajudá-lo a superar este estado e, ao mesmo tempo que estimula a sua coragem de recuperar-se, deixar que a força interior do próprio cliente atue sobre ele mesmo, pois “todo verdadeiro conhecimento vem apenas de dentro de nós mesmos, através da comunicação silenciosa com a alma” (Bach, 1991, 197).
Todas essas questões que tratam direta ou indiretamente da busca pelo conhecimento de si mesmo encontram, na terapia holística, uma força complementar para a transmutação de estados energéticos mentais e emocionais que são a sede do equilíbrio interior. O ser humano, como tudo na natureza é composto de energia e, por isso, está em constante troca com o ambiente que o cerca. Os padrões energéticos tanto do indivíduo quanto do ambiente que o cerca influenciam-se mutuamente podendo provocar tanto desarmonia e conflito quanto harmonia e desenvolvimento interior. Os corpos mais sutis, responsáveis pelos padrões dos níveis mental e emocional, funcionam em constante mutação, o que provoca uma constante transformação da energia. O que determina a qualidade dessa transformação é a qualidade dos pensamentos e das emoções geradas pela pessoa. Assim, a terapia holística procura recursos que ajudem os indivíduos no resgate ou na manutenção de padrões mais harmônicos que possam beneficiar e facilitar a recuperação ou manutenção do equilíbrio interior.
Os artigos que pretendo postar neste blog tratarão da análise e da extensão desse conhecimento, propiciando ao leitor, sempre que assim o desejar, a observação, a análise e a qualificação desse saber.
Referências bibliográficas
- BACH, Edward. A terapia floral: escritos selecionados de Edward Bach – sua filosofia, pesquisas, remédios, vida e obra. São Paulo, Ground, 9 ed., 1991.
- JUNG, C. et WILHELM, R. O segredo da flor de ouro.Petrópolis, Vozes, 11 ed., 2001.
- WEIL, Pierre. Holística: uma nova visão e abordagem do real. São Paulo, Palas Athenas, 1990.




