{"id":210,"date":"2010-07-31T10:50:48","date_gmt":"2010-07-31T13:50:48","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portaldereiki.com.br\/blog\/?p=210"},"modified":"2010-07-31T15:13:12","modified_gmt":"2010-07-31T18:13:12","slug":"poderia-o-reiki-ser-descrito-cientificamente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.portaldereiki.com.br\/blog\/2010\/07\/poderia-o-reiki-ser-descrito-cientificamente\/","title":{"rendered":"Poderia o Reiki ser descrito cientificamente?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Eulalia Fernandes<\/p>\n<p><em>&#8220;Se perguntarmos a um f\u00edsico por que um sapo pula, ele n\u00e3o saber\u00e1 responder. Mas se lhe dissermos como se constitui um sapo, como s\u00e3o suas mol\u00e9culas, como se posicionam seus nervos, etc, ele ter\u00e1 base para resolver a quest\u00e3o&#8221;<\/em> (Feynman, 1999, 110). Do mesmo modo, para que possamos descrever as caracter\u00edsticas e o funcionamento do Reiki, \u00e9 necess\u00e1rio que as quest\u00f5es propostas possam ser colocadas de uma forma que permita ao reikiano ter subs\u00eddios de pesquisa partindo do seu campo de atua\u00e7\u00e3o. Os dados s\u00e3o espec\u00edficos a seu campo de saber e, na maioria das vezes, n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o \u201cobjetivos\u201d como determina o cartesianismo acad\u00eamico, mas isso n\u00e3o quer dizer que a metodologia de an\u00e1lise n\u00e3o possa ser cient\u00edfica. Afinal, quantos campos de saber n\u00e3o conhecidos ou reconhecidos em sua \u00e9poca foram condenados como desclassific\u00e1veis, no decorrer da hist\u00f3ria da humanidade, at\u00e9 que os homens os aceitassem como plaus\u00edveis e fact\u00edveis?<\/p>\n<p>Mas o que geralmente se prop\u00f5e a um reikiano s\u00e3o perguntas como: <em>\u201co Reiki cura c\u00e2ncer?\u201d.<\/em> Assim como seria imposs\u00edvel propor a um f\u00edsico responder simplesmente por que um sapo pula, \u00e9 imposs\u00edvel pedir a um reikiano que responda a esta quest\u00e3o. Isto porque as propostas de an\u00e1lise do terapeuta reikiano n\u00e3o est\u00e3o voltadas ao campo da doen\u00e7a, campo que n\u00e3o lhe cabe dominar, a n\u00e3o ser que, al\u00e9m de reikiano, seja tamb\u00e9m um m\u00e9dico. Como terapeuta hol\u00edstico, que \u00e9 o que caracteriza o <em>status <\/em>funcional de um reikiano, n\u00e3o est\u00e1 prescrita a possibilidade de responder ao dom\u00ednio de um campo que n\u00e3o lhe pertence, assim como ao f\u00edsico n\u00e3o cabe responder a perguntas, se n\u00e3o lhe derem os dados necess\u00e1rios \u00e0 resolu\u00e7\u00e3o das quest\u00f5es que lhe s\u00e3o propostas. Se, no entanto, a quest\u00e3o for colocada dando-lhe subs\u00eddios para perceber, analisar e entender a causas de desequil\u00edbrios energ\u00e9ticos de uma pessoa da qual a medicina tradicional tem um diagnostico de c\u00e2ncer, ent\u00e3o, sim, ele ter\u00e1 condi\u00e7\u00f5es para supor as causas de desequil\u00edbrios (geralmente baseadas em emo\u00e7\u00f5es negativas, como a m\u00e1goa, o sentimento de perda, a rejei\u00e7\u00e3o, o abandono, a tristeza profunda e outros padr\u00f5es emocionais) que provocam o adensamento energ\u00e9tico de tal desequil\u00edbrio no n\u00edvel f\u00edsico. Baseado nisso &#8211; porque este \u00e9 o seu campo de saber -, poder\u00e1, ent\u00e3o, supor o quanto de empenho no \u00a0restabelecimento dos centros energ\u00e9ticos \u00e9 necess\u00e1rio, bem como que tipos de energia poderiam ser prop\u00edcios para a recomposi\u00e7\u00e3o desses campos energ\u00e9ticos, embora n\u00e3o lhe caiba\u00a0assegurar a recomposi\u00e7\u00e3o deste reequil\u00edbrio nem, evidentemente, o restabelecimento da sa\u00fade. As raz\u00f5es desta suposi\u00e7\u00e3o est\u00e3o pautadas nas descri\u00e7\u00f5es de como um terapeuta hol\u00edstico atua e quais as fun\u00e7\u00f5es que lhe cabem analisar. Isso n\u00e3o quer dizer que ele esteja empenhado em enveredar-se pelo campo da medicina. Muito pelo contr\u00e1rio: n\u00e3o lhe cabem estas incurs\u00f5es, do mesmo modo que n\u00e3o cabe ao f\u00edsico explicar por que o sapo pula. Assim, a n\u00e3o ser que d\u00eaem ao f\u00edsico ou ao reikiano subs\u00eddios pr\u00f3prios a seus campos de saber, estas quest\u00f5es n\u00e3o podem ser analisadas ou resolvidas. Em outros termos, um reikiano voltado a estudos e pesquisas estar\u00e1 empenhado em resolver as quest\u00f5es que lhe s\u00e3o colocadas em sua linguagem espec\u00edfica e\u00a0pautadas n\u00e3o apenas em seus conhecimentos, mas, principalmente, na vis\u00e3o que lhe \u00e9 permitida \u00e0 an\u00e1lise do mundo que o cerca.<\/p>\n<p>No entanto,\u00a0o que estabelece a diferen\u00e7a entre a aceita\u00e7\u00e3o da descri\u00e7\u00e3o do f\u00edsico e da descri\u00e7\u00e3o do terapeuta reikiano\u00a0 \u00e9 que , de modo geral, os leitores que analisam uma resposta de um f\u00edsico prontamente a reconhecem como v\u00e1lida, apenas pelo <em>status<\/em> a ele conferido pela sociedade cient\u00edfica. Uma resposta de um terapeuta reikiano, ainda que pautada em an\u00e1lises objetivas e consistentes de descri\u00e7\u00e3o de casos terap\u00eauticos, dificilmente \u00e9 aceita como resposta plaus\u00edvel, mesmo que os resultados de sua atua\u00e7\u00e3o e suas pesquisas em nada desmere\u00e7am os crit\u00e9rios metodol\u00f3gicos utilizados para o alcance de suas metas e mesmo que suas descri\u00e7\u00f5es em muito se assemelhem \u00e0s de um f\u00edsico, que s\u00f3 descreve <em>\u201cpor que um sapo pula\u201d<\/em>,\u00a0se estiver\u00a0em conson\u00e2ncia com a adequa\u00e7\u00e3o dos dados que lhe s\u00e3o fornecidos.<\/p>\n<p>Por que ser\u00e1 que isto se d\u00e1 desta forma?<\/p>\n<p>O que posso supor \u00e9 que, se um reikiano diz que n\u00e3o pode responder a perguntas como a que foi citada acima, sua terapia quase sempre \u00e9 criticada como algo que, ent\u00e3o, nada acrescenta a qualquer tratamento, mesmo quando se coloca como terapia complementar (que \u00e9 o que caracteriza a terapia hol\u00edstica).\u00a0 Respostas evasivas s\u00e3o permitidas \u00e0 medicina: \u00a0<em>\u201cn\u00e3o podemos dizer mais nada a respeito desse caso; fizemos o que estava a nosso alcance\u201d<\/em>. Mas se uma resposta a este n\u00edvel \u00e9 dada pela terapia hol\u00edstica, como por exemplo: <em>\u201ccabe-nos trabalhar a energia que provoca este estado de desequil\u00edbrio e cabe ao receptor trabalhar esta energia e metaboliz\u00e1-la a seu favor<\/em>\u201d, somos imediatamente condenados como pessoas que se pautam em respostas consideradas vazias, pois, <em>\u201cAfinal, ent\u00e3o, para que servem essas terapias?\u201d<\/em> ou <em>\u201cPor que voc\u00ea perde tempo e dinheiro com isso? Nada pode ser provado em torno desse tipo de<\/em> <em>tratamento&#8230;&#8221;<\/em><\/p>\n<p>O trabalho terap\u00eautico do reikiano, bem como a do terapeuta hol\u00edstico, em geral, volta-se para a reconquista de um equil\u00edbrio perdido ou para a manuten\u00e7\u00e3o deste equil\u00edbrio e n\u00e3o poder\u00e1 prescindir da real predisposi\u00e7\u00e3o da pessoa afetada para a reconquista da sua sa\u00fade, ou seja, trabalhar as energias que geraram esse desequil\u00edbrio. Neste sentido, as energias terap\u00eauticas do Reiki s\u00e3o bastante prop\u00edcias para ajudar a trabalhar os corpos f\u00edsico, emocional e mental, como veremos em outros artigos.\u00a0<\/p>\n<p>O que importa ressaltar, aqui, \u00e9 que n\u00e3o cabe ao reikiano simplesmente responder se <em>\u201co c\u00e2ncer tem cura\u201d<\/em> porque uma resposta direta, nesse sentido, foge a seu campo de saber. Estas quest\u00f5es se baseiam em causas que apresentam in\u00fameras vari\u00e1veis, tal como acontece com a maioria das ci\u00eancias. E, como ocorre com os cientistas que procuram por suas respostas, o reikiano tamb\u00e9m v\u00ea, em cada caso, um universo de pesquisa e n\u00e3o uma f\u00f3rmula m\u00edstica a ser respondida indiferenciadamente.<\/p>\n<p>De qualquer forma, a descri\u00e7\u00e3o dos fen\u00f4menos cient\u00edficos, muitas vezes, tolera respostas evasivas, pois o que verificamos \u00e9 que, na descri\u00e7\u00e3o desses fen\u00f4menos (destaco a F\u00edsica, por exemplo), os experimentos seguem uma \u201cbel\u00edssima\u201d linha de racioc\u00ednio, num padr\u00e3o que a linguagem cient\u00edfica atual est\u00e1 habituada a aceitar.<\/p>\n<p>\u00c9 comum aos f\u00edsicos, portanto, dizerem, com freq\u00fc\u00eancia, que uma quest\u00e3o qualquer, em an\u00e1lise, talvez n\u00e3o apresente uma resposta verdadeira, pois, afinal, a <em>\u201cnatureza n\u00e3o tem de concordar com o nosso racioc\u00ednio\u201d (Feynmam, 1999, 124). <\/em>Alguns dos pressupostos podem estar errados ou \u00e9 poss\u00edvel que se tenha cometido um erro de racioc\u00ednio, de modo que \u00e9 sempre necess\u00e1rio verificar.\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0Tal toler\u00e2ncia, no entanto, de modo geral, n\u00e3o \u00e9 concedida a uma descri\u00e7\u00e3o terap\u00eautica reikiana, pelo simples fato de que \u00e9 comum n\u00e3o aceitar que um reikiano tamb\u00e9m seja capaz de usar metodologia cient\u00edfica para descrever seus dados. O problema se d\u00e1, portanto, n\u00e3o apenas porque seus dados, quase sempre, fogem a um conhecimento tradicionalmente cient\u00edfico, mas porque dificilmente, a sociedade cient\u00edfica est\u00e1 disposta a reconhecer, a priori, que isto tamb\u00e9m pode ser feito.<\/p>\n<p>REFER\u00caNCIAS BIBLIOGR\u00c1FICAS<\/p>\n<p>FEYNMAN, R. P. F\u00edsica em seis li\u00e7\u00f5es. Rio de Janeiro, Ediouro, 1999.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eulalia Fernandes &#8220;Se perguntarmos a um f\u00edsico por que um sapo pula, ele n\u00e3o saber\u00e1 responder. Mas se lhe dissermos como se constitui um sapo, como s\u00e3o suas mol\u00e9culas, como se posicionam seus nervos, etc, ele ter\u00e1 base para resolver a quest\u00e3o&#8221; (Feynman, 1999, 110). 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